Folar de Páscoa Alentejano (Bolo Finto)

De entre as muitas tradições de folar de Páscoa que se encontram por todo o país, gosto particularmente de três: o de Trás-os-Montes, salgado e que exibe orgulhosamente o bom fumeiro da região, o de Olhão, enrolado e recheado com muita canela e açúcar amarelo, e este, de Portalegre, que é o que me traz as mais doces recordações.

A minha mãe é de Portalegre e desde sempre que me lembro do bolo finto. Este bolo levedado (fintar significa levedar), que acaba por ser mais parecido com um pão doce do que com um bolo, como a maioria dos folares, era tradicionalmente oferecido pelos padrinhos aos seus afilhados pela Páscoa. No entanto, atualmente é possível encontrar bolos fintos durante todo o ano e sempre que alguém da família ia a Portalegre, ou vinha alguém de lá fazer-nos uma visita, já sabíamos que vinham bolos fintos na bagagem, a par de cacholeiras brancas e rebuçados de ovo. A minha mãe veio nova para Lisboa, quase como toda a família. Ficou em Portalegre uma tia que morava ao fundo da Rua da Sé, e que acabou por vir morar com a minha mãe quando o marido morreu. Mais do que uma tia, foi uma espécie de avó emprestada. Uma senhora doce, dedicada aos outros, que fazia fatos por medida e que gostava de escrever versos dedicados à família e à serra da Penha. Agora, como já não há ninguém para trazer os bolos fintos de viagem, é altura de fazê-los eu mesma.

Este, como o de Olhão, é um dos folares mais aromáticos, inebriante nos aromas que liberta a canela, erva-doce e aguardente. Podem comê-lo assim, simples, ou morno, barrado com uma fina camada de manteiga. Com as sobras, se existirem, podem fazer torradas no dia seguinte para o pequeno-almoço.

A receita faz-se sem grandes dificuldades. Os pontos onde podem ocorrer problemas é no dissolver do fermento no leite – tenham cuidado para o leite não estar muito quente, deve estar tépido, à temperatura do corpo, para não matar o fermento – e disponham os folares nos tabuleiros com suficiente espaço entre eles para crescerem sem ficarem “colados” uns aos outros. Para levedar massas, eu gosto de cobrir a taça com película aderente. Acho que cria um ambiente hermético que facilita o levedar. Depois coloco a taça dentro do forno, desligado claro, e deixo o fermento fazer a sua magia. No inverno ainda posso colocar uma manta de lã ou polar por cima, mas nesta altura do ano já não deve ser necessário. A receita dá para 8 folares, podem oferecer alguns, pelo que vão precisar de os cozer em duas fornadas. A receita original mencionava 1 hora de cozedura no forno mas não demorou mais de 30 minutos, que é o tempo que indico mais abaixo. Ao fim deste tempo façam o teste do palito para verificar a cozedura.

folar de páscoa alentejano (bolo finto)
folar de páscoa alentejano (bolo finto)

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Estão à procura de uma ideia diferente para o almoço de Páscoa? Que tal estas curgetes assadas no forno e recheadas com carne de borrego?
Curgetes no forno recheadas com carne de borrego

 


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2 comentários

Ruth Miranda 11 Abril, 2017 - 11:02

A minha sogra, sendo alentejana, já me tinha falado deste bolo finto. Infelizmente como tem erva doce não posso sequer provar. Ai os folares de Trás os Montes… já é a segunda Páscoa que passamos sem um, desde que morreu o meu sogro. Uma das irmãs dele fazia todos os anos e ele ia lá buscar para os filhos, eu regalava-me sempre que me chegava ás mãos aquele pão alto e fofo e dourado, esse é o único folar que eu realmente gosto.
https://bloglairdutemps.blogspot.pt

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Paula 14 Abril, 2017 - 18:53

Parece que também vais ter que meter a mão na massa um dia destes 🙂 Uma doce Páscoa e beijinhos

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